jeudi 29 mai 2008

um po no véu do eterno




















Um po no véu do eterno

alguém se esqueceu de me levantar,

de me fechar os olhos,
talvez com um beijo,
jà nao vi,
mas quem sabe?


um sono ultimo ao apagar da noite.


fui acolher a luz dos que andam sem pés
como os anjos.


o deserto no interior das veias,

um po no véu do eterno.


senti o corpo sacudir a rua como um tapete.

a palavra fracturou até ao osso,
como tumba aberta na nave dos amantes.

soam preces, inclinam-me o pescoço
e suspiram.

jà nao preciso de respirar no ar.


ancolias desagregam-se no chao
fica uma bilis escura

que me enegrece as unhas

esvaziando toda a minha melancolia.


lidia martinez 29 de maio de 2008

mercredi 28 mai 2008

Uma rosa de areia




















Uma rosa de areia


Arrefeceu o céu da boca ao espreguiçar-se além do mais
e riscou o corpo com a ponta do lapis.
Repetiu tonta o fim das palavras.
Parecia que lhe estavam a lavar a alma!
Esperou assim, so para ver.

Ficou tal uma ruina emocional
quando reparou nos estragos.
Abandonou-se à natureza,
abriu a mao , dura, como uma rosa de areia.
Os animais mornos continuaram a sesta.

O diabo ficou a arder.

lidia martinez
18 de maio de 2008
Paris.

La main opposée au temps












La main opposée au temps

La main opposée au temps
reste soumise.

Elle s’occupe du souvenir,
ne rompt aucun silence.

Les mots dressent notre table.
En étrangers nous y sommes installés.
On se passe de pain.

Je mange à côté des mots,
Acides mélanges aftent ma langue.
Pour revenir, je pique l’ongle
sur le dos de la main.

Mes yeux fixent la dentelle
coquille d’œuf,
une sorte de lin familiale
gardien du souvenir.

Un grain de raisin éclate
entre mes lèvres,
Le jus tache ma poitrine.

Ton regard ne suit plus la morsure.

La violence maladroite s’évanouit,
aussitôt la séparation réparée.

Une secrète alliance entre nous,
s’obstine à garder dans le corps,
la mémoire vivante de notre peau.

On se vide dans les nuits complètes
On barbouille nos bouches
avec des mots de dos.

Je plie mon poignet,
le bras reste coincé
En dessous

Mes jambes se déracinent,
Je fais de l’espace à l’absence.

Ensemble on écoutera
une très belle chanson,
Sans trop bouger.

Je pousse le corps jusqu’à t’atteindre.

Tu m’écoutes ?

LM, 28 mai 2008

lundi 26 mai 2008

sentir os espaços desertados pelo homem















A pequena Assassina






























A pequena asassina

um solo para a Paula Rego

Poème du dernier jour

Poema do ultimo dia



POEMADOULTIMODIA

Os artistas lançam um desafio aqueles

que possuem o mundo,

e os que possuem o mundo indispoem-me.

Surprendo-me de estar aqui convosco,

entre o céu e a terra.

Nao existe no mundo um lugar

que possa acolher a nossa torpeza.

Tropeçamos nela e caimos no mundo.
Na via , na dança, sou um passaro que coxeia.

O meu braço é uma asa quebrada

que vos acena lentamente.

Inclino-me, queria abraçar-vos deixando-vos livres.

So a palavra poética é libertadora.

Dentro de mim tudo se agita

desafiando a espessa neblina

que humedece e me apareda o peito.

Serro os labios que se afinam, como

se por uma outra boca,

provasse os meus proprios beijos.

Desconheço a ligaçao das linguas

neste processo.

Eu sou insolente, eu nao sou insolente.
Prefibro dizer sim, mesmo se o nao me preocupa.

Mordo a mao antes dos caes.

A cada um de digerir o seu veneno !

Chamo-me lidia martinez e a dança

é a minha terra natal.
Este é o ultimo poema do ultimo dia.

Olho o mar e digo :

- Os naufragos nao morrem, dormem.

lidia martinez, paris 2005.











samedi 24 mai 2008

Bem de dia ou de noite








Bem de dia ou de noite

Bem de dia ou de noite,
pedia que me dissesses bem de nos,
e que o amor transbordasse no dobrar
dos lençois.
E que mais filhos viessem dessa dor
e com alguns risos, para bem da vida
que nos dava tanto.
E o homem que eras, acolheu nos braços
essa soledade de menino antigo.
Nessas noites ou meios dias
corriamos as persianas com o dia
a empurrar
o amor para a cama.
E esse bem recolhido e aconchegado,
alargado, dizia que milagroso era
pedir esse bem, que mais nao fosse.
Nao te espantes agora, filho de alguém
que là longe, no seu canto distante,
repete baixinho o teu nome,
o da infância, amando-te tal qual um menino.
Eu, de peito cerzido,
bordado a ponto cruz nas pontas,
desafio-te, escorregando,
invisivel quase, o meu corpo
tao bem cuidado para que ao pé de ti,
a paciência seja bem piedosa.
Migalha de pao na mao do crente,
amasso o po do leito, deito-me entre o bem
e o mal, sonho e nunca durmo.
Suspira um cao à porta do inferno,
jà me roeu o osso e continua a subir,
é um mal que veio por bem.
E muita dor e pouca luz,
invisivel mao aguda
mao lilases,
mao de passeante, cumpre a nossa jura
em jardins exaltados com promessas
e desejos alheios, prova tormentos
distâncias e fico eu bem, a descolar
beijos das paredes, juro.
E os beijos que te deixei,
segredos molhando-te os cilios
e neles a memoria de todas as amantes
o bem que todas alimentavam,
enchiam-te o corpo e azulavam-te
o céu da boca.

Que o bem deste pacto seja o rio
que nao para de te sorver a boca,
refrescar-te a nuca.
So bem te quero dizia o malmequer à lua,
e se pôs a crescer mais alto,
bem como o tornesol e bem-mais-amado
ficou perto da sua luz.

LM, Paris 25 de maio de 2008

vendredi 23 mai 2008

Cactée, something poétique ( extrait )







Cactée, something poétique
J'accueille ton geste amical, il fait si chaud...
sur mon épaule droite descend un essaim d'abeilles.
Je ne bouge même pas le bout d'un seul cil.
Ma peau d'enfant insomniaque
attend la piqûre comme une délivrance.
Je vois jaune.
Autour de moi vibre le champ de blé de Vincent,
du blé tendre, précoce, l'épi barbu, de le touselle.
Il emblave la peinture sur la toile,
on devient si proche de son geste,
que nos doigts bougent, seuls.
L'huile a le touché d'un velours frappé
par une odeur forte.
Les corbeaux volent et crient dans le bleu
profond du ciel,
nos yeux roulent hallucinés.
Saigne l'oreille coupé du peintre suicidé.
Rouges les coroles des coquelicots larges,
comme des robes de madame Grès.
J'aime la soie de leurs plis(...).

Silence je défais ma tresse
















Je l'avoue ma mélancolie est une messe
et mes genoux ressemblent à ceux des saints.
Des flèches transpercent mon corps,

douze fois plus qu'une, pour toi, par toi,
je saigne.

Une douceâtre saveur de miel

apaise ma bouche d'un baiser de nuit.

Soif de consolation, tendre commissure des lèvres

d'où coulent d'insondables secrets.

La nuit t'embrasse et ma langue sucre
tes rêves
de miel et de consolation.
Ne pas quitter la terre sans avoir pliée ses ailes,
l'une à l'endroit l'autre à l'envers.

Coudre et découdre ses émotions.

caresser l'âme d'une pointe sèche
et panser ses blessures.
Un soupir découd un mot si simple,

le mot que je taisais.

Le corps se disloque et prie.
Sur moi ton silence, aucune violence.

le geste , son ombre, immobiles.

Loin, très loin, un chemin.

Rien ne se fait ni se défait sans volonté.

Le livre a fleuri.

mercredi 21 mai 2008

O Jogo ( publicado na revista minguante, micronarrativas, N° 10 " Vicios ")

O jogo
Francisco desafia o olhar fixo do esquilo
a barrar-lhe o caminho.
Um suor frio escorre-lhe pelas costas.
Nenhum deles baixa os olhos.
Um ciclista atravessa-se pelo meio
e o bicho em três saltos,
desaparece.
Francisco fecha a boca num risco curto.

Mau agoiro este de cruzar um animal
antes do poker na cave do Rahul!
Lá chegou frio e desfocado.
Perdeu até ficar enxuto.
Soletrou palavras desconhecidas,
andou e viu nascer o dia.
Perdido, sentiu os pés desaparecerem
na bosta de um cavalo urbano.
Cantou para se curar do vício das cartas,
seguindo o provérbio irlandês...
"when you are in the... just sing."

PRINA
















Pedintes e crentes chegaram convulsos ao cimo do O.

A estatua de cera de Nossa Senhora,

se consumia tal qual uma vela,

se o povo pecasse mais que razao.

As mulheres entoavam um cântigo agudo.

Na sacristia preparava-se uma bebida santa,

agua com mirra para os mais necessitados.

Das colunas escorriam estreitas algumas guirlandas.

Um ar morno corria pela capelinha.

De repente a santa surgiu como ovo ao sol.

Prina ajoelhou-se e pediu um golo de agua benta

e olhando a virgem,notou-lhe que uma lagrima

lhe atrapalhava o beiço.

LM,déc. 2007

mardi 20 mai 2008

autre-cas















la femme est couchée à même le sommier
et le matin se déplie en ombres
traçant la porte une ligne bleue
elle serre très fort les yeux pour préserver sa nuit
la prolonge trompant la lumière encore un peu.
(...)

autre-cas( ensaio)
















un arbre pousse à même le ciment,
les oiseaux construisent des maisons dedans,
ils ne se trompent jamais les oiseaux
dans leur pouvoir de traversser le monde par le haut.

autre-cas(ensaio)

pause-tricot ( extrait)


Attendre serait le mot.

« Dieu insuffla la vie par le baiser de sa bouche »
alors Adam avala une partie de l’âme de Dieu ,
ce serait sa partie divine.
Alors, il chute dans le monde et il attend.
le reste c’est de l’histoire ancienne.
Il faut rendre aux choses leur gloire.
Moi je tricote, j’ai des pause immobiles,
des chants agonistes, j’interpelle le monde
qui est en nous, qui est à l’intérieur de nous,
même s’il est trop tard.
Quand j’aurai quarante-quinze ans,
Je changerai de pointe de croix.
un mot à l’endroit, une pensée de travers,
Rien de bien prévisible pas de modèle à suivre…
Vaincre l’adversaire avec de l’émotion,
Tomber du haut de mes talons aiguille,
Chuter grave quoi, rire de tout ça avec la gueule enfarinée,
Et aboyer sur des certitudes et des plans de carrière.
Finalement le tricot est une bonne façon
de relâcher ses muscles,
Tout en bavassant sur du sensible.
rien de ce qui été dit ici n’a pu être voulu.
Je ne suis qu’une pensée agissant de l’intérieur.
J’écoute la parole lancée au vent revenir en écho,
Le monde est en nous, il est à l’intérieur de nous,
Il est sans fond.
Mon regard fuit plein d’évitement.
je regarde l’abîme il m’écoute .
Vous êtes tous les amants du possible, bis.
Pause, tricot, chant…
Je vous l’aviez bien dit la dernière fois.


( ...)LM, 2005.

Un trèene, chant qui accompagne les morts-canto das carpideiras)










Texte sur le Thrène

Lamentation pour l’amant disparu

Mon bel amant, mon petit, mon cœur,

il est tard, il est déjà trop tard,

c’est fait et plus à refaire.


Mon cœur a séché,

je me noie dans la rareté de ses larmes.

Il est tard, il est déjà trop tard.


Les vers,

les insectes vont te dévorer,

le temps fera de toi

un paillon à la nuit brève.

Les morts regardent de l’autre côté de l’abîme,

de l’autre côté du puits,

ils arrivent du fond de la peur.

Oh mon bel amant, mon tout petit, mon cœur!

La barque de Caron ne peut se fier à la lune.

Ombres et battements d’ailes furtifs

glissent sur le Styx.

Va-t’en mort !

Gueule de chauve-souris au museau ridé.

Elle te prend sous son manteau de poussière.

Des fleurs poussent sur les pierres.

Il est tard, il est déjà trop tard.

Mon amant, mon petit, mon cœur,

j’ai un couteau planté dans ma bouche.

Une dent de loup te coupe la lèvre,

et c’est moi qui saigne.

Aie, aie, aie, mon amant,

mon tout petit, mon cœur !

Je suis une Cassandre inutile

au rire brisé d’Ophélie.

Après t’avoir pleuré,

après avoir ri aussi,

après la vaisselle et le rangement,

j’irai à la fenêtre de ma chambre

crier au monde :

- Je t’aime, ô toi !

( chant trène pour accompagner ASP)

LM, 06.

Cartas de amor de Pedro e Inez











Cartas de amor de Pedro e Inez

Pedro,

Neste refugio onde a solidao é uma porta

que nos fecha a boca,

o meu pensamento todo te é oferecido.

O silêncio testemunha desse dom

e a meu recolhimento nele.

Nao quero ver para além do teu corpo

que me acolhe e onde me escondo,

nele encontro e bebo o mel do meu consolo.

Para quê este sofrimento que me tolhe a alma,

alagando os campos do Mondego

de tanta lagriam e dor ?

Para onde correm as sombras que caminham neles ?

Julguei mal a minha força, o cansaço fez-me prisioneira

cosendo-me a este espaço onde me guardas do mundo.

Adeus amor, o meu peito jà nao chora de te ver partir

e o meu braço é uma asa desprendida

que te acena lentamente.

Senhor, eles jà me mataram antes do punhal.

Inez, Paris, Fevereiro 1994


Cartas de amor de Pedro e Inez

Me voici prête au dernier adieu,

puisqu’il allège le peuplier

de ses feuilles sombres, tardives.

Il y a des roses qui habillent ma gorge de satin parfumé.

L’odeur m’apaise et la nuit rentre en moi par la bouche

Et fait éclater ma poitrine.

Ma peur se roule à tes pieds,

se cache sous la terre que tu parcours.

Je suis l’oiseau poursuivi par les chiens d’un roi

qui ignore tout de la passion.
Un insecte apeuré et ses ailes me crucifient à un destin

qui s’écrit par-delà un lit de pierre dentelée.

Je demande au vertige de ne pas rougir l’eau de notre fontaine,

qu’il tarde de le faire.

Le quart de lune décroisse encore sous le lourd

témoignage de ce crime.

Il est le seul témoin de cet abandon.

L’adieu est l’oraison que je répète au temps qu’ils me volent,

à la vie qui me reste.

Ma bouche ne bouge pas, elle boude.

Pedro, ne laisse pas la trahison lever le poignard

qui menace ma quiétude.

Reviens et protège-moi de tout ce qui me tue.

Fais-vite, le diable me colle son pas,

il me glace le visage de ses doigts impairs.

Inez, Paris Juin 1997

lundi 19 mai 2008

Baptismo Fatal











Foi num alivio de açucenas que Abigal
venceu
aquela angustia de fim de tarde.
Cerrou os olhos e deixou que aqueles perfumes
lhe agoniassem a alma.

Tonta, acreditou na balsâmica cura
e ali ficou prostada,
no meio do jardim.
Antes de voltar ao mundo,
apertou as maos
e os seus dedos estalaram,
ela sorriu entao.
Era hora de vésperas e oraçoes.
Gostava de pensar que as regras
so faziam
sentido para justificar
alguns males inexplicaveis.
Avançou para o rio e cruzou Zulmira

que fazia jà uma reza,
caminhando.
- Vais à capelinha?- perguntou.
- Vou e tu?
- Eu vou ao baptismo.
Ambas se riram e Abigal sem pudor algum,
despiu-se e entrou nua e rija naquela agua gélida.

Zulmira jà desaparecia na dobra do muro.

Foi a descrente enrolar-se no fundo,

ficando visiveis os seus cabelos,
enrolados num ramo livre.

O vestido foi parar à Zulmira que o gabava tanto!
A partir dai nunca mais pedinchou nada à Senhora,

jà que de vez ela tinha levado Abigal,

deixando-lhe um bem que lhe assentava
como uma luva de senhora fina.

Mas Zulmira nao soube mais como se desapegar
daquele rio,
das suas margens.
Ali ficava horas a bichanar e lutava
com o terrivel apelo
que lhe fazia a agua,
murmurando, dizia ela o seu nome

como um canto profundo,
vindo direitinho da garganta do mundo.

LM,8.01.08

dimanche 18 mai 2008















Les animaux tièdes sont au repos.

Je ne veux pas d'un lissage culturel,
mais d'un champ sec lourd de tournesols.

je garde ce sourire en moi,

en diagonale ma bouche est une grenade

prête à mordre.

Au coin d'une rue, surgit
Éros.
J' attends le printemps

pour remonter à la surface.

Ma
Perséphone à moi refuse
l'enfer
qu'ils fabriquent.
La mère donne le grain à l'homme

et il le vend au plus offrant.

Fausses perspectives l'attendent.

Éros
prend le thé à cinq heures,
la diagonale poursuit le fou,
le fou est chou et ma face de rat l'intimide.

Face à eux je me retire.

L'oignon est doux ,
mes yeux s'y frottent.

Mes larmes contemplent le tableau.
Le peintre y a risqué sa vie.


LM, 18 mai, 2008 Paris

samedi 17 mai 2008

as tartarugas felizes




















A tinta do amor.


As palavras para chegar ao silêncio.
As palavras nunca sao a " boa palavra".

Falo do meio da vergonha.
O mundo sai do corpo.

Remember me.


Guardo um fazer imaginativo

numa modernidade fragmentada.

Ficamos tao calmos separados
pelos oceanos.

Semicerro os olhos,

sinto as tuas costas pesadas

respirando contra o meu peito.
As tuas maos sabem tudo de nos.

Ela disse-me do fim da noite,

para eu nao ter medo de nada,
de guardar tudo em aberto.


Sento-me no cotovelo da historia

e aguardo uma carta com palavras
tiradas à sorte.


Escrevo em voz alta, de pé, em pé.
Fecho a porta.


Such a pretty me.

Na vitrina,
umas tartarugas felizes.
LM, 08

Tragédia grega















O reconhecimento na ausência

da manipulaçao dos deuses.

Envelhecido, Ulisses nao obtém

o abraço do filho,
mas sim uma esmola.

Argus, o cao, nao se deixa enganar.
Lambe-lhe a mao em sinal
de fidelidade
absoluta e morre.

O riso apanha desprevenidos
os pretendentes de Penelope.

Riem sem tino e perdem a razao.

Desfeitos na tela, o tempo e o sorriso dela.
Resta à mao bordadora, reencontrar,

o imperfeito esposo de outrora.

Escondidos nas dobras do tempo,

os elos e muitos recados .


Quando se vê um homem nu por dentro?

LM

as camas vazias




















as làgrimas da contemplaçao
as camas vazias, lividas
limpo os olhos com a ponta do lenço

espero tanto quanto me é permitido
enquanto espero lanço os olhos à deriva

e quem sabe?
o orvalho fica suspenso
nos finos caules
como beijos matinais, humidos.

poderia recomeçar tudo de novo

se uma aurora me surpreendesse
enquanto durar este quase sono.

mimar o jogo, mimar o amor, mimar.
passo o amor ao fio da espada.

prodigo gestos falecidos.
reconheço objectos desertados pelo homem.

coro no penultimo pudor antes da picada da abelha.
sejamos ariscos, duvidemos da duvida.

façamos numero?
LM

o caminho dos lobos















O pombo corria sem saber onde cair morto.

Torceu o pescoço e ficou quedo,
algo torcido
a cabeça pousada na pedra
parecia um homem cansado de voar,
destroçado por uma longa pena
ou uma doença prolongada.

Desceu à terra, assustou-se e cedeu à mao forte
do destino
ou à brusca decisao algo divina.
Passou à arma à esquerda frente
ao n° 100
da rua dos Remédios.
Adormeceu para sempre com a asa levantada
contra a ténue brisa, resistindo, resistindo ,
resistindo.
LM 2006

vendredi 16 mai 2008

j'avais des larmes plein mes yeux


J’avais des larmes dans mes yeux

- L’as-tu vu ?( silence )

Le bleu.

- Oui, couché sur la pente.

Escarpé aussi, ( silence )

Le bleu….

- Arrivés en bas, on ne distinguait plus le chemin.

On était six dans la voiture.

Ça sentait si fort que je devais respirer lentement.

Le plus vieux a posé une question embarrassante,

personne n'a voulu y répondre.

- Je n’aime plus rouler en voiture, je me sens à l’étroit.

Sur les grandes routes, c’est étouffant.

A pied, je vais à pied, partout où je dois me trouver, je marche.

- Tu boîtes.

- Trois jambes, le bois de ma canne soutient ma peine,

mon chemin se fait sur son appui.

.

- Le vieux a dit :

« Qui ne s’est pas lavé ce matin ? «

Mais personne n’a répondu. ( silence )

Le matin j’ouvre à peine les yeux, je reste un peu dans le noir

et je vais ouvrir le robinet d’eau froide.

C’est une coupure nette, l’inconnu me tient endormie toute une nuit,

mais il faut quitter les rondes chaleurs de l’enfance.( silence )

Ce n’était pas moi qui sentait mauvais,

même si j’étais l’étrangère.

- Les chasseurs n’ont pas eu envie de te tirer dessus ?

- Non, ils avaient d’autres projets en ce qui me concerne.

Le vieux donnait le la.

Tous voulaient l’imiter, tuer comme lui, être séduisant comme lui, méchant aussi.
Tout comme le vieux, celui qui commande, qui mange le premier,

qui conduit la voiture toute neuve. Bleue métallique.

Le petit fils est venu nous suivre pour la première fois, il venait pour tuer des petits animaux.

Il a touché une colombe toute fine, jeune oiseau son plumage était gris, lisse.

La colombe a fait un drôle de bruit en s’écrasant au sol, juste devant moi.

- Qui avait tiré ?

- L’enfant.

- Il l’a tué ?

- Non. L’oiseau a tremblé, l’enfant aussi.

Puis un type a dit :

« Appuis sur sa gorge avec tes pouces, avec force «, a-t-il ajouté.

- Quel horreur !

- Oui, mais il le fallait.

La colombe tremblait toujours, le garçon suait, ou peut-être qu’il pleurait…

il se retenait, sa bouche était si proche du bec de l’oiseau, il aurait pu l’embrasser.

- Je hais la chasse !

- Je hais les chasseurs.

- L’oiseau, est-il mort ?

-Oui. Le type lui a arraché la tête rien qu’en lui tordant le cou.

Il a ancré son pouce dedans et très vite il a séparé la tête du corps.

L’œil est resté ouvert, la cruauté du geste était insoutenable.

Le silence pesait sur nous, aucun bruit n’a accompagné cette mort.

L’enfant a reculé d’un pas, son menton s’est soulevé,

il a inspiré et puis il n’a pas pu continuer.

L’homme n’a rien vu, il a commencé a déplumer la colombe

encore toute chaude d’une vie et du sang qui l’animait.

Quand il eut fini, l’enfant a pris ce qui restait de la bête

et plongea son petit doigt dans le trou fait par la chevrotine.

Il n’a rien dit, ses yeux étaient secs, comme l’air.

- C’est bizarre, j’ai l’impression de l’avoir rêvé

dimanche 11 mai 2008

les aubes sont en avance







o exilio faz-se dentro da minha boca

sombra destacada do muro inclinada,
obliqua claro.

nada nos necessita, nem o primeiro gesto
que coze a minha boca
ao teu ombro,
nem aquela que te dessina
jà distante.
Es rei e infinitamente pequeno

na tua fuga inclinada.

uma solidao anterior,
um adeus perfeito.

aqui nao sou eu so no escuro

Les aubes sont en avance
" - ...et comment va monsieur Cézanne? -
comme vous voyez...je vais au paysage!

Ne pas marcher sur les pas des tristes,

car ils sont tristes à mourir.


Sans nom, pliée en papillon, j'attends.
La mort est en éveil.

Mourir d'aise, avoir des souvenirs
en commun.
lidia mai, 2008




O pé de fada















Adiamantados brilhos fechando-nos os olhos.

Marulho a boca junto ao teu peito, contagiada
pela beleza do suspirar de menino.
Indicivel melancolia escorrega seca
no redondo da nuca.
Fruto aberto, a roma talhada num so gesto.
Enrolo a lingua e roubo-te a grainha pobre
a sobrar-te nos làbios.
Mordiscà-los até que eles renasçam para o jogo,
em superficias escuras.
Ondas manchadas de luz desafiando o pé da fada,
o meu pé de leque.
Arrefece-me o céu da boca.
Vieste lavar a alma nesta cama, ao fim da noite.
Os poemas cairam da luz como anjos estremunhados.
Sei que vou florir apos o enterro.
LM.
maio 2008

a catharsis do amor







diario de uma bordadora de intimidades

as tuas maos podem tudo
guardo a garganta cheia de sol
escoando luz, libertando ais e suspiros longos.
a falta que tu me fazes é sem limites, um dia dir-te-ei isto.
palavras para chegar ao silêncio.
do meio da vergonha, da unidade, guardo a sensibilidade
na boca, là no fundo, comichao.
lingua que vai tocar no concavo, engolir seco.
agitaçao da cauda do peixe, um golpe de remo e chuva miudinha
a molhar tolos.Ficamos calmos separados pelos oceanos.
uma escrita seca, ossea.
uma lama incomoda.
eis aqui!
comida pelas arvores, a luz pesada do meio da tarde.
é so o dia de hoje, que bom tê-lo.

jeudi 8 mai 2008

OS TITULOS









Frases com titulos

Cicatrises conservadas em sal

Ainda que o mar revolto

Horizontes largos

Parcerias embriagantes

Homens astutos de bolsos furados

Um regresso afortunado

O fresco rumo da literalidade

O pragmatismo enxuto

Uma aurora suspeita

O nevoeiro cheio de riscos

Um percurso de alambiques

Falsas cerâmicas

Castelos de marfim

Silêncio em muros

Um poema com dobras

Come-me a ti

Os corpos inacabados

Acutilante memoria de um passado recente

Arrastamento temporal

Um mergulho cromatico

Gatafunhos polifonicos

Um lençol mortuario

Caminhada infinita, luminosa

Um lisboeta aborrecido

Um irmao desconhecido

Vidas perfeitamente normais

Pontes de contactos

Saltar à vista com errosd

Recados para o fim do mundo

Um final feliz

Escorregar na palma da mao

Uma pesquisa dedicada

O encantador recordar do antigamente

Obedecer às margens

Em boa hora se disse

Acontecer a toda à hora

Longe do fim

O faroleiro espelhado nas lentes

Entrar na perda

A outra metade do furo

Um modo sem rumo, sem sumo

O absurdo amargo do mundo

Regressar à ética
Abusar da duvida
Coisas nos outros
O principe do fim
Metamorfoses nos ecos
Um quarto e dois réfens
Vem na badana
As palavras que pesam no papel
Soltar um passaro
Acender alma
Adormecer o dia
Salpicar a escrita de lama
Ainda sem titulo
Presença postuma
Um segredo do até ao fim
O pacto do silêncio enlobado
Parece estar na moda
Duas obras e uma feira
A prata amachucada
O deslizar do mundo em rodapés
Uma arena poética
Dezacertos sem memorias
Luta numa arena de papel pardo
Organizar manchas no decote em V
O ar entre as coisas
Papoilas sobre a toalha de mesa
Colar os dedos no po das asas duma borboleta
As tuas maos podem tudo

1 déc.O6
( extracto)