samedi 27 décembre 2008

Rodelinda









RODELINDA

Rodelinda olhou-se no espelho e coincidiu com a imagem.
Quando eu morrer, pensou, o que morrera comigo ?
De maos crispadas na saia, rangeu os dentes solidos.
Fazia uns estalidos estranhos com a lingua,
como se o tique lhe aliviasse a tensao que lhe
percorria o rosto.
Se eu fechasse os olhos e tudo desaparecesse ?
Um gesto de despedimento arrancou-lhe uma unha sem gemer.
Quebrou as palpebras, ampliou a boca num esgar.
Endireitou-se, limpou a fenda de rubro fogo,
julgou mal o acontecido.
O homem deitado, respirava sem ruido.
Agarrou-lhe o cinto e escondeu-o na gaveta.
Escapou pela janela e resolveu caminhar de pés descalços.
Equilibrando-se na borda do passeio,
repetia o pensamento morbido que lhe ia na alma:
se eu escorregar agora e pisar o asfalto,
chego a casa e ele esta cego, cego e morto.
Como um animal marinho abismado num rochedo,
ela percorreu a distância sem queda alguma.
Aliviou o corpo e atravessou a estrada.


Lidia martinez
Paris, 26-12-2008

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