mercredi 28 novembre 2007

froid comme deux mains dans la neige


froid comme deux mains dans la neige

(...) l’orgueil des saints voilà ce qui bouffe mes genoux

à l’heure des vêpres.

je dois encore prier longtemps

avant de pouvoir me présenter mains nues ouvertes

devant le monde vous

vous en foutez et une fois la décision prise

de fermer l’oreille à la puissance du verbe

de son incantation

vous dormez du sommeil des justes

j’ouvre le robinet de la vie

tout cela coule et va se noyer à la source

faire couler sa peine dans la baignoire

de l’eau et su sang, tu vois ?

c’est du radical, ça encourte la lutte certes

ça ne sert qu’à se faire oublier plus vite

je vais continuer à murmurer

m’entendre dire la folie de tous

la sagesse des plus ordonnés pansera

mon agonie.

LM.2004

opoemadoultimodia





OPOEMADOULTIMODIA

Os artistas lançam um desafio aqueles que possuem o mundo,

e os que possuem o mundo indispoem-me.

Surprendo-me de estar aqui convosco, entre o céu e a terra.

Nao existe no mundo um lugar que possa acolher a nossa torpeza.

Tropeçamos nela e caimos no mundo.

Na vida, na dança, sou um passaro que coxeia.

O meu braço é uma asa quebrada que vos acena lentamente.

Inclino-me, queria abraçar-vos deixando-vos livres.

So a palavra poética é libertadora.

Dentro de mim tudo se agita desafiando

a espessa neblina que humedece

e me apareda o peito.Serro os labios que se afinam, como se por uma outra boca,provasse os meus proprios beijos.Desconheço a ligaçao das linguas neste processo.Eu sou insolente, eu nao sou insolente.Prefiro dizer sim, mesmo se o nao me preocupa.Mordo a mao antes dos caes.A cada um de digerir o seu veneno.

Chamo-me lidia martinez e a dança é a minha terra natal.

Este é o ultimo poema do ultimo dia.
Olho o mar e digo :

- Os naufragos nao morrem, dormem
.

lidia martinez, paris 2005.




vendredi 23 novembre 2007

C'est sans fin( création)



"(...) Mon regard fuit plein d'évitement. je regarde l'abime, il m'écoute. Vous êtes tous les amants du possible, bis. ( pause, tricot, chant) Je vous l'avez bien dit...

C'est sans fin( création)

"(...) Quand j'aurai quarante-quinze ans, je changerai de point de croix. Un mot à l'endroit, une pensée de travers, rien de bien prévisible, pas de modèle à suivre... vaincre l'adversaire avec de l'émotion, tomber du haut de mes talons aiguilles, chuter grave quoi, rire de tout ça avec la gueule enfarinée et aboyer sur des certitudes et des plans de carrière. Finalement le tricot est une bonne façon de relâcher ses muscles tout en bavassant sur du sensible. Rie de ce qui a été dit ici n'a pu être voulu. Je suis une pensée agissant de l'intérieur de nous, il est sans fond. Mon regard fuit plein d'évitement. je regarde l'abime, il m'écoute. Vous êtes tous les amants du possible, bis. ( pause, tricot, chant) Je vous l'avez bien dit...

samedi 10 novembre 2007

de noite penteada....


De noite penteada ela volta o rosto para ausência

Duas personagens, uma mulher idosa, outra mais nova.

Alva e Curia.

Interior de uma casa, espaço aberto uma cama desfeita,

duas cadeiras, lâmpada suspensa, luz crua.

- Quando findar o frio…

- Eu sei. Nao precisas de dizer.

- Jà tenho o vestido e o lenço de seda a condizer.

- Sao sempre os mesmos Curia.

- Eles sao, eu nao, por isso parecem sempre diferentes,

como eu sou.

- Ja reparaste como o chorao se dobrou

com a ultima tempestade ?

- Ja.

Eu fui levantar-lhe umas braçadas e dar-lhe alento.

Faz-me bem dizer-lhe umas certas coisas…

ele nao me responde « eu sei … »

Nao leves a mal, é que durante o dia,

aqui no meio da casa, penso em tanta coisa,

tu nem imaginas, corre tudo para fora e nao lhe dou vasao !

- Eu sei…mas isso de ires falar com a arvore,

podes falar comigo, eu respondo-te.

- Nao sao respostas que eu gosto de ouvir.

As perguntas Alva, as perguntas que tu nao fazes

é que poem questao, percebes ?

- Quando findar o frio irei contigo buscar as pedras

e leva-las até là a cima.

Ainda faltam dois meses para o inverno acabar.

- Esta noite nao fechei olho…mas foi bom,

relembrei a viagem a Veneza com o meu namorado .

- Tu foste a Veneza com o teu namorado ?

- Fui, demos as maos e fechamos os olhos com força,

depois começamos a contar onde estavamos e o que viamos,

as igrejas Alva, os frescos , o sol na praça de St. Marcos

e os pombos a levantarem voo por cima das nossas cabeças.

Depois apanhamos o vaporetto para irmos até uma ilha,

nao me recordo do nome, havia um restaurante

com musica ao vivo e cogumelos grelhados como se fossem bifes !

Vinham num prato largo como uma de folha de platano,

e eram servidos com flores amarelas, fritas.

Ah, se tu soubesses como eram bons esses cogumelos

e as luzinhas a brilharem no fundo da laguna.

O meu namorado era tao bonito, tinha maos morenas e esguias,

sequinhas mesmo de manha enrolado no meu colo,

como seu fosse um outro gato. Mordia-me a orelha e …

- Eu sei…jà me tinhas dito que ele era engraçado.

- Também era engraçado, era muito mais que isso ele .

- Nao sabia é que vocês tinham viajado.

- Como sempre…sabes que eu viajo muito facilmente.

- Queres dizer que…ah, aquela coisa de pegares num livro,

fechares os olhos e ires por ali adiante sem travares.

- Isso, é uma boa terapia, devias experimentar.

A imaginaçao consola aqueles que nao souberam

amanhar o tal peculio.

- Estou muito bem assim, nao viajo pela cabeça,

quando tenho que ir a algum lado, vou e prontos.

- Vais e voltas sem demora.

- Eu …pois, nao gosto de estar fora muito tempo.

- Se tu soubesses por onde eu andei, so de estar ali sentada

à beira do colchao…

- Curia, deixa-me viver na realidade.

A tua cabeça é um permanente sitio

onde as fadas contam historias.

A minha, uma terra de areia negra.

Dei um abraço mortal à vida e fui ver se chovia

para o outro lado do mundo.

Nao acredito em graças obtidas com reconhecimentos

e maos dadas. Essas hà muito que as desenraizei .

Nao sujo a lingua no po do tempo.

- E de noite voltas o rosto para a ausência.

- Pois, é isso, também nao descolo beijos da parede.

- Como é que sabes que eu faço isso ?

- Observo-te à noite, quando nao consigo durmir.

- Sabes o que se diz…

» Nao se almoça com o diabo sem utilizar

uma grande colher ».

A força de olhares para mim enquanto sonho,

vais acabar sentada no colchao.

l'homme chute( extrait)


l'homme chute( extrait)

Un enfant reste accroché à son aile gauche.
Loup noir,
menacé par le crépuscule,
le corps tendu,
il se libère des contours,
lance des fils colorés
tels des algues marines.

Ils voyagent d’un tableau à un autre.

Une sorte de circulation prédestinée

à l’absurde.


Le raisin est devenu un emballage,

La terre sucrée par les grappes

s’incruste sous les ongles,

sèche au cœur de ma robe.


Au centre, il y a un homme

couché au sol,

son masque est aveugle.

Sur lui le ventre plein

d’un être décapité.

Pas d’amertume au bout du chemin dallé.

L’homme est innocent
innocent, innocent.

Moi, je suis cette pierre
Bleue, qui se cristallise
dans une douce attente.

En toi le démon si doux de l’absence.

Mon ventre tremble,
La musique l’apaise.
Le rapace n’est pas loin.

Un dimanche tache
mon souvenir,
alors, je me peins
dedans, cachette,
antre, nid, pierre, voix.

Il y a eu un si fort reflet
de lumière sur la montagne.

J’ai senti mon corps
flotter au plafond.
C’était le baiser de dieu
qui me consumait.
Finalement tout ceci
est arrivé entre deux
mortelles étreintes
et c’est là,
où il y a eu l’impudique
apparition :
la terre est devenue ocre-rouge.
Après je me suis couverte la figure.