Affichage des articles dont le libellé est lidia martinez antigona.. Afficher tous les articles
Affichage des articles dont le libellé est lidia martinez antigona.. Afficher tous les articles

lundi 23 juin 2008

Este é o pais






Este é o pais

A lingua em que as historias nao se deixam contar.

Este é o pais.

Metade pertence ao mar, o resto fluctua.

Ha quem lhe meta as maos por dentro e arranque

raizes victoriosas, sedentas.

Ouvem-se gritos e ainda nos conhecemos

algum patriotismo.

Grande orgulho de um crescimento certo

mas algo tardivo, nos faz caminhar corcundas

e assim enfrentamos o inimigo com desculpas

e cerimonias.

E tudo nosso mas partilhamos tudo mais com eles.

Era uma vez um pais meio encaminhado

para o dito cujo futuro, com a cegueira admiravel

de quem voltou as costas ao mar,

e foi por dentro de uma historia a crescer tao rapida,

que nem tempo houve de se lhe aprender o caminho.

Fluctuamos.

Mais uma vez recomeçamos a contar acumulando

tentativas e nao conseguimos encontrar

o fio do quotidiano falar.

Por aqui ou por ali, hesitaçao e quem nos dera

encomendar a Deus a desconstruçao imediata

do saltitante embroglio que nos enrola a dita cuja.

Quem me dera a mim ter nascido

numa verdadeira ilha e nao ter historia nenhuma

para contar.

So feliz de conhecer o circulo que une os primeiros

passos aos demais e me faz esquecer

as palavras raivosas como patria, mae pobre ou açaime.

Nada mais do que viajar em inuteis circulos

por dentro dos rastros da ultima caminhada.

Ter nome de buzio e mar em tudo o que é perto e longe.

A lingua quebrada de tanto provar o sal.

Nao escrever nunca porque se conta com a pele ao sol

o desenrolar de um dia e depois o cansaço é ja leito

e escuridao segura.

Amanhecer.

Este é o pais.

Alba e esperançosa manha de todos os dias

a namorar o passado indigesto.

Gente boa, diz-se.

Era uma vez e por um por um acenamos a palavra

com dificuldade e numa esquizofrenia traduzida

e ja aclamada como um bem, reconhecemos

que afinal cuspir para o ar ainda se aclama

se a pontaria nao falhar.

Nevoeiro e teatrices ja deram o que tinham a dar.

Com isto nao contei historia nenhuma.

Se calhar esta jangada ja se arrancou definitivamente

à europa e ninguém deu por isso.

Francamente nao sei se me vou sentir a falta.

Era uma vez…

LM, 2004