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vendredi 8 août 2008

Ser Perséphone

[portrait-vertnoir.jpg]

abro este verso com um estalido.
provo-lhe a semente
e vou engolir o vacuo
esvaziando o mundo.
deixo-me ir pelo ralo
sem limpar à volta
o sedimento gira
e desaparece.
desfio o adesivo
abro a boca à ferida
sinto o cheiro azedo
que exala o sangue.
a cola pinta o rastro
dos pontos, o enigma
da cruz arrepela-me.
pernas para que te quero,
vou sair daqui depressa.
sou o grilo maior que a janela,
a espernear face a uma ingénua
crueldade.
o enigma da infância
desses dias perfurados,
como dedos nos gatilhos
a experimentarem os alvos
atirados ao ar.
Poule!
madrugadas em avanço,
sonhos apocalipticos,
mares levantados
com pontes estreitas,
e os meus pés a escorregarem
sobre no gelo das ondas.
vou cair agora mesmo
e tudo vai recomeçar,
paro com as dores
a pele alisa em estatua
sem po.
afasto a cortina no meio do frio,
desfeio, certa que vou renascer.
o rei absoluto provoca uma
alteraçao e acolhe-me
na concha.
Sou Vénus e arrebata-me
o coxo.
esperneio no fundo da terra
à espera de primaveras,
e a roma abre-se de novo.
posso florescer ao pé da minha
Deméter, usufruir da luz
escapo à chaga e ao fogo,
ao ferro ardente.
tenho quatro maos dentro de mim
a cozerem pao e afiarem o linho.
hei-de esperar o secar
da macela, fazer-te chà para
te acalmar as visceras.
planto beijos nas tuas coxas
quentes.
por instinto caço como um cao
e preparo-te um met
digno das minhas preces
que te acompanham
o sono e me alimentam o corpo.
quero que penses agora
que so o teu falar me arranca
do coraçao a tristeza.
quero uma melodia grave
e sobressaltada,
oficina bem o teu cantar,
desfia à fenda o sangrar
do meio corpo.
pensador, prova-me o final
deste agravo, limpa o prato com a lingua,
bebe-me e observa-me nos olhos
a distância e o caminho.
abandona-me agora.
foge-me.

LM, 2 agosto, 08.

vendredi 9 novembre 2007

le livre d'emanuele


Le livre d’Emanuele

Je me lisais dans tous tes silences.
Dedans, surgissait la chaleur
et la sombre peine de ne pas
te vouloir prisonnier ici.
Je regarde la rose jusqu’à me pulvériser
les yeux entre l’os et l’aube.
La faille entre les âmes, une langue de terre,
la révolte et le spirituel incarnés.